sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Considerações sobre a carta ao PT enviada pelo PSB e PCdoB

Nesta semana tivemos o encaminhamento de um documento à Direção Municipal do Partido dos Trabalhadores.
A carta tratou apenas de formalizar alguns aspectos da discussão que, neste momento, é pública e noticiada pela maior parte dos veículos de comunicação em nosso Estado.
Nesse sentido, registramos brevemente alguns elementos importantes para a história de Porto Alegre, bem como da conjuntura política e administrativa no município, destacando, entre outros aspectos, a importância e a gênese da vitória da Unidade Popular em 2010 no RS, a aliança política mantida pelo Prefeito Fortunati, que é diversa daquela composta pelo PT em nível nacional e estadual e, por fim, que, em caso de reedição desta Unidade, o PSB abrirá mão de disputar o cargo de vice-prefeito na chapa majoritária.
Alguns órgãos de imprensa veicularam que teria havido, por parte de dirigentes petistas, uma avaliação negativa do documento, na medida em que o mesmo seria muito superficial, de pouco conteúdo...
Pois bem! Com todo respeito que nos é devido nesta relação, cabe registrar que não se tratou, em nehum momento, de enviar um documento com detalhes programáticos e de gestão, tampouco um anteprojeto de plano de governo.
Por outro lado, seria subestimar nossa capacidade de maneira extrema interpretar que tivéssemos a intenção de enviar um documento com este propósito e magnitude em uma lauda específica.
Sinceramente, podemos até entender que existam motivações e/ou razões concretas que obriguem o Partido dos Trabalhadores analisar suas diferentes possibilidades para a eleição 2012. Mas não podemos aceitar que insinuações a respeito de uma suposta falta de sintonia com o debate público e a realidade de Porto Alegre, ou então dificuldades para elaborar um disgnóstico e um programa de governo para a cidade sejam postas como justificativas para desqualificar nosso propósito, que é simplesmente de estabelecer o debate e as condições necessárias para reeditar em Porto Alegre a aliança vitoriosa, em primeiro turno, para o Governo do Estado em 2010 e que dialogue, no mesmo campo político e partidário, com os governos de Tarso e Dilma.
Para os que não tiveram a oportunidade de ler, segue abaixo a íntegra da carta enviada ao Partido dos Trabalhadores.

Antônio Elisandro de Oliveira - Presidente Municipal

Porto Alegre, 29 de agosto de 2011

Companheiras e companheiros membros do Diretório Municipal e militantes do PT,

1. Porto Alegre é cidade que esperançou a gerações de brasileiros em diferentes momentos: dos longínquos cinqüenta anos da legalidade à construção da participação popular com Orçamento Participativo. Consagrou-se como capital das alternativas de construção de um outro mundo com as edições do Fórum Social Mundial. Mas foi a cidade também das políticas públicas criativas num período duro vivido pelo Brasil. Aqui o transporte público ganhou qualidade e urbanizaram-se comunidades mesmo sem recursos do governo federal.

2. É a população dessa cidade que nossos partidos devem respostas. À população que percebe as ruas sujas e escuras, com ônibus superlotados, os serviços públicos que perderam qualidade. Ao povo que se organiza e, mesmo assim, vê a participação popular ser tratada como moeda de troca. Àqueles que querem investir e são barrados na burocracia da prefeitura. Às mães que querem vagas em creches para que possam trabalhar nesse Brasil que cresce e gera emprego. O prefeito atual deu continuidade a uma administração com um projeto e uma aliança política que nos opomos em 2008 e 2010, aprofundando e consolidando um caminho diverso do que estamos trilhando no Estado e no país.

3. Em 2008 construímos respostas distintas ao diagnóstico comum que tínhamos sobre a cidade. Apresentamos duas candidaturas competitivas de oposição. Nossa divisão no primeiro turno construiu nossa derrota no segundo.

4. Em 2010 reconstruímos nossa relação, retiramos a candidatura de Beto Albuquerque, pois percebemos que estávamos fazendo com que a história se repetisse. Juntos construímos a vitória de Tarso Genro e Beto Grill no estado. É por esse projeto que somos responsáveis! É com esse campo que queremos responder aos problemas que a população de nossa capital vive.

5. Nossos partidos julgam que devemos estar juntos e apresentar unitariamente, já no primeiro turno, a candidatura mais viável. Julgamos que essa candidatura é a Deputada Federal Manuela D’Ávila. Contudo, consideramos legítimo que o PT apresente seu nome para conjuntamente definirmos qual o mais viável para nos representar. Se concluirmos que Manuela D’Ávila deva encabeçar a chapa caberá ao PT, a indicação do candidato ou candidata ao cargo de vice-prefeito. O PSB entendendo a importância de manter a unidade e o projeto do nosso campo, neste caso, abre mão da indicação do candidato a vice-prefeito.

6. Um governo vitorioso destas forças políticas deverá ser representativo do programa que estaremos construindo conjuntamente, e levar em conta a contribuição dos diversos setores que almejam uma Porto Alegre avançada. A história, a representatividade, a dimensão e a diversidade política dos aliados devem nortear a participação dos partidos na composição de um eventual governo da Unidade Popular em nossa cidade.

7. No processo da Conferência Municipal do PCdoB temos contado com valiosas contribuições de petistas para a elaboração de nosso pré programa. Nossa intenção é que esta construção seja unitária e possa contar com a participação efetiva dos nossos aliados.
Abraços,

Manuela D’Avila
Deputada Federal 

Carlos Fernando Niedsberg
Presidente Municipal do PCdoB  

Antonio Elisandro de Oliveira
Presidente Municipal do PSB

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