segunda-feira, 27 de junho de 2011

Homenagem eterna ao socialista @luisdecesaro, o Gringo!

Muito oportuna a idéia do companheiro Luiz Pinheiro (luiz.pinheiro@terra.com.br), de registrarmos aqui no blog nossa homenagem ao Ex-Presidente Estadual do PSB, Luis Carlos De Césaro, homem de idéias permanentemente jovens e a frente do seu tempo, falecido no dia 10 deste mês, aos 60 anos de idade.
Transcrevemos abaixo uma de suas últimas crônicas publicada no blog www.gringodecesaro.blogspot.com, que nos revela a tranquilidade de alguém que, mesmo na fragilidade da doença, avalia com lucidez a  dignidade da sua vida, da sua luta e a validade dos seus sonhos.
Saudações eternas, Gringo De Césaro!


Minha última partida.

Pois meus amigos, estou saindo do jogo. Queria jogar os 90 minutos, mas cansei aos sessenta. O Técnico disse que eu poderia tentar acompanhar o restante da partida sentado no banco, se quisesse. Ou pela TV, lá do vestiário. Optei pelo banco, junto aos jovens reservas plenos de energia e vontade de jogar. Fez-me bem, eu senti a volta daquela contaminação que tivera há muitos anos, quando acreditava que poderia tudo e que de tudo seria capaz. Joguei sessenta minutos mas não parei um segundo. No começo fazia apenas o que o Técnico ordenava mas em seguida não me continha e desobedecia ao esquema tático, tentando uma jogada individual que daria certo, com toda certeza. Errei e acertei, fui vaiado e aplaudido ocasionalmente. Nunca fui desleal com os adversários, minhas faltas somente aconteceram quando buscava a bola, mas os lances são imprevisíveis nesses momentos. Alguns compreenderam, outros não, o que me entristeceu um pouco. Não guardei rancor pois aprendi que com eles acontecia o mesmo. Mas a partida é assim, mesmo jogando juntos estamos todos separados, cada qual com seu sonho e aquela imensa torcida que tudo vê e tudo cobra. Quando fazemos uma bela jogada, ganhamos aquela glória momentânea, mas quando fracassamos estamos na Arena aos leões. Sentado, ali, recordava dos sessenta minutos e concluí que joguei uma boa partida. Não por um julgamento próprio, mas pela reação da torcida. Tivesse sido especial e sairia ovacionado; fosse muito ruim sairia vaiado. Nem uma coisa nem outra, simplesmente abandonei o gramado sob um silêncio quebrado por alguns aplausos de um pequeno grupo de torcedores que estavam próximos. Claro que imitei uma girafa alongando o pescoço para descobrir: eram meus familiares, alguns velhos amigos de infância junto a outros mais recentes. Foi o que me bastou para olhar para cima e agradecer a Deus por tamanha glória: família e amigos de verdade, lá estavam aplaudindo meus sessenta minutos de puro esforço e garra, sabiam que eu não tinha nenhum compromisso com sucesso, fama ou seja lá o que parece que estão todos querendo hoje. Simplesmente joguei sessenta minutos como um ser humano qualquer, mas com muita intensidade, pareceram-me bem mais que os noventa normais. Há jogadores que concluem a partida sem jogarem nada, pena. Joguei o que pude e, mesmo sem poder retornar ao campo, curto a prorrogação anunciada, feliz porque ainda ouço o aplauso da família , amigos e o celular avisa que minha amada está vindo sentar comigo até o final. Valeu, estou feliz por tudo.

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