sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O OP de antes e de hoje

Lurdes Agata Guiconi*


Quando iniciou o processo do Orçamento Participativo, houve um grande avanço de participação e democratização na comunidade, que nunca na história brasileira tinha acontecido. Pela primeira vez, as pessoas puderam participar com direito a voz e voto.

Inicialmente, as pessoas se perguntavam o que era ser delegado. Quando começaram a entender que não era mais o vereador e a vereadora, por serem amigos de alguém, que conseguiam as obras e os serviços do município, as coisas começaram a mudar. Sabendo que tinham o direito de se organizar e reivindicar, poderiam se reunir para escolher por si mesmo as suas demandas e prioridades.

Assim, percebeu-se que só participando é que poderia mudar a sua vida e conquistar as suas necessidades. Aí começaram as demandas e mais demandas em todas as áreas: educação, creches, colégios, assistência social, saúde, moradia, saneamento básico, pavimentação etc.

Acho que no início o processo era mais elaborado e avaliado. Nos primeiros anos, milhares de pessoas conseguiram mudar as suas vidas para melhor. Quem não gostou foram alguns políticos, porque não podiam mais manipular a população. Até hoje, isso ainda se reflete na nossa cidade.

Hoje, no governo Fogaça, o OP é só fachada. Ele disse que o que estava bem continuaria, mas não cumpriu a promessa. A participação das pessoas até se manteve. Mas a qualidade das lideranças não é mais como antes. Não há mais formação de delegados e conselheiros. A maioria não sabe qual é o seu papel dentro dos fóruns.

As discussões que ocorrem se resumem a obras. Não mais se discute questões sociais em geral. Mas as obras pararam. As que foram realizadas neste governo eram demandas do governo anterior. A saúde é grave, assim como moradia etc.

As secretarias geralmente são ausentes dos fóruns de delegados e, quando participam, enviam representantes que não têm poder de decisão e desconhecem os assuntos, além de não aceitarem críticas e constantemente criarem conflitos entre as decisões do OP e as intenções do governo.

Assim, mais uma vez, quem perde é a população.


*Presidente da Associação dos Moradores da Vila Pinhal, delegada do OP desde o início e integrante da coordenação do Conselho Popular da Lomba do Pinheiro

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